
O teto de R$ 1,5 milhão já havia vigorado temporariamente entre fevereiro e dezembro de 2017. Desde 2 janeiro deste ano, o limite de financiamento foi reduzido para R$ 950 mil, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, e para R$ 800 mil nas demais regiões do país. Além de expandir, anova norma não faz mais distinção entre as grandes capitais e os municípios do interior do país.
O CMN também acabou com o limite de R$ 1,5 milhão para financiamentos com recursos da caderneta de poupança. A partir da mudança, os interessados poderão financiara compra de imóveis de qualquer valor.
Além disso, o CMN mexeu com as regras para os recursos direcionados -que precisam, obrigatoriamente, ser investidos no setor habitacional. Hoje, as instituições financeiras são obrigadas a destinar R$ 52 para operações dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) de cada R$ 100 depositados nas cadernetas de poupança. A partir do ano que vem, esse dinheiro não precisa ser emprestado para imóveis dentro do sistema. Na prática, os bancos poderão usar esses recursos para financiar casas e apartamentos mais caros.
CORREÇÃO ATÉ PELA INFLAÇÃO
O CMN permitiu, ainda, que os bancos façam operações atreladas a outros índices que não sejam a Taxa Referencial (TR). Ou seja, financiamentos de habitações podem ser corrigidos, por exemplo, pela inflação. Isso não está limitado ao teto de R$ 1,5 milhão. O banco poderá ofertar empréstimos para qualquer tipo de imóvel com outros indicadores.
Segundo o diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damas o, isso não deve aumentar o cus topara o mutuário. Ele ressaltou que os bancos já estão longe do limite de cobrar 12% ao a node juros para a compra da casa própria.
Outra medida foi incentivar o financiamento de imóveis abaixo de R$ 500 mil. Nestes casos, a instituição poderá abater 20% doque emprestarem dentro da exigência de aplicação da poupança. Ou seja, em vez de destinar R$ 52 de cada R$ 100 depositados na poupança, vai direcionar apenas R$ 41,60, sobrando mais dinheiro para outras transações.
Damaso ressaltou que o limite de R$ 500 mil foi estabelecido porque representa a maior parte do déficit habitacional do país. Para ele, essa é a mudança que deve ter o maior impacto no mercado imobiliário.
Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, o pacote de medidas vai beneficiar principalmente aclasse média.
Para o empresário Rubens Menin, presidente do conselho da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a principal vantagem das medidas é incluir "no jogo" mais gente, porque as condições do crédito imobiliário ficarão mais acessíveis.
FGTS pode ser utilizado em imóveis de até R$ 1,5 milhão
O Conselho Monetário Nacional (CMN) reformulou as regras para a comprada casa própria. O FGTS poderá ser utilizado em imóveis novos ou usados de até R$ 1,5 milhão em todo o país, e as instituições serão incentivadas a financiar unidades de até R$ 500 mil. As medidas começam a valer em janeiro de 2019.
COMO ERA
O mutuário podia usar os recursos do FGTS para dar entrada ou amortizar o financiamento de imóveis de até R$ 950 mil em São Paulo, Rio , Minas Gerais e DF, e de R$ 800 mil nos demais estados pelo SFH.
COMO FICOU
Será possível usar, a partir de 2019, os recursos do FGTS na compra de imóvel de até R$ 1,5 milhão em qualquer lugar do país. Os bancos poderão fazer operações atreladas a outros índices que não sejam a Taxa Referencial (TR), por exemplo, à inflação. A mudança não está limitada a imóveis de até R$ 1,5 milhão. Além disso, os bancos serão incentivados a financiar imóveis com valor abaixo de R$ 500 mil.
Por Gabriela Valente e Geralda Doca